ORIXÁS

Na mitologia iorubá, Orixás são ancestrais divinizados africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças. Estes deuses da Natureza são divididos em 4 (quatro) elementos – água, terra, fogo e ar.

Os Orixás são, essencialmente, essas energias encontradas tanto na natureza como dentro do corpo do próprio ser humano. O Orixá, diferente do espírito em evolução, está essencialmente dentro do indivíduo, além de estar presente em toda a natureza.

As características de cada Orixá aproxima-os dos seres humanos e cada um deles tem seu sistema simbólico particular composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários.

O Orixá é “o senhor de nossa cabeça” e, quando manifestado em seus filhos, comemoram a vida dentro do corpo e sua comunicação se dá por meio de sinais ou sons. Portanto, o estado de transe mediúnico ocorre quando essa energia aflora no corpo de seu filho a fim de mostrar, através de suas danças, qual é a sua função cinética na natureza em termos de vida e de movimento.

Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada Orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus Orixás vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente.

Na mitologia, há menção de 600 Orixás primários.  No Brasil, esse número foi reduzido.

Seguem os Orixás mais cultuados no Brasil.

Exu


É o orixá da comunicação, guardião das aldeias, cidades, casas e do axé. A palavra Èșù em yorubá significa “esfera” (aquilo que é infinito, que não tem começo nem fim) e, na verdade, Exu é o orixá do movimento. Não deve ser confundido com os exus de umbanda, uma vez que essas entidades não são consideradas orixás como Exu, e sim entidades ou espíritos de luz que têm por missão ajudar as pessoas em forma de consultas, de orientação. Não se deve confundi-los com quiumbas - espíritos primitivos na escala de evolução espiritual, que são considerados negativos e que, por vezes, fazem-se passar por outras entidades, normalmente Exus, trazendo inclusive um ponto de vista muito negativo a tais entidades (Exus), por eles mistificados. Os missionários cristãos, quando começaram a catequizar o Brasil, ao perceberem o grande poder que Exu exercia entre os adeptos do candomblé, começaram a execrá-lo e transformá-lo em um ser maligno e perigoso e sincretizaram-no com a figura do diabo no catolicismo. Infelizmente, sua figura continua sendo vilipendiada pela dominação de movimentos religiosos que ditam normas e pautam valores no imaginário coletivo. Exu é ativador de nossos merecimentos. É o que propicia nossas vitórias e nossas derrotas, pois nem sempre sabemos lidar com a vaidade, o ego, o egoísmo e a soberbia que aflora de forma acentuada quando se conquista algo ou alguém. Exu é quem abre nossos caminhos, mas também fecha, tranca e acorrenta nossa vida quando nos encontramos desequilibrados e viciados numa maldade e numa possessão sem fim. Isso é a Lei e assim é EXU! Exu é a força que atua sobre o negativo de qualquer pessoa tentando equilibrar essa ação. É aquele que faz o erro virar acerto e o acerto virar o erro. É aquele que escreve reto em linhas tortas, escreve torto em linhas retas e escreve torto em linhas tortas. Mesmo nos momentos em que nos vemos no meio do caos, Exu sabe fazer com que a ordem prevaleça. Exu não gosta de displicência e de injustiça, não aceita nada mais e nada menos do que lhe é de direito e de dever. Exu não faz, não participa e não orienta nenhum tipo de magia negativa. Exu é Mago Realizador por excelência e conhece absolutamente tudo sobre magia. No entanto, conhece também a Lei Divina e a cumpre com perfeição a cada momento. Magia negativa é ação do homem que deseja mais do que pode, deve e merece. Exu dá e faz somente aquilo que for de merecimento e de necessidade para o Ser, segundo a Lei Divina. Ele é o “mensageiro”, recebe e leva os pedidos e as oferendas dos seres humanos ao Orum, o céu. É o Senhor dos caminhos, das encruzilhadas, da entrada e da saída. É o movimento inicial e dinâmico que leva à propulsão, ao crescimento e à multiplicação. Os filhos de Exu são alegres, sorridentes, estão sempre de bem com a vida, extrovertidos e atentos. Sabem como ninguém ser sociáveis, pois conhecem o valor de uma boa amizade. Esquecem facilmente as ofensas e não guardam rancor. Aspectos Gerais Dia: segunda-feira Símbolo: Ogó Elementos: Terra e Fogo. Folhas: Folha de fogo, coração-de-negro, aroeira vermelha, figueira brava, bredo e urtiga, etc. Domínios: Sexo, magia, união, poder e transformação. Sincretismo: Santo Antônio (13 de junho) Saudação: Laroiê, Exu!




Ogum


Ogum é Orixá guerreiro da demanda e da luta. É senhor das estradas e dos caminhos e é preciso sua autorização para fazer qualquer passagem. Grande general de guerra, usa a espada para abrir seus caminhos e derrotar seus inimigos. É o senhor do ferro e dos metais, das ferramentas e da tecnologia. Ele que criou as máquinas para a agricultura e ensinou aos homens labores manuais e a trabalhar o ferro com o fogo. Representa o progresso, a vanguarda, as experiências científicas, a eletricidade, a eletrônica, o material cirúrgico. Ele é o destemor. Ogum é o orixá da lei e seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão e a emoção. É o trono regente das milícias celestes, guardiãs dos procedimentos dos seres em todos os sentidos. É sinônimo de lei e ordem e atua na ordenação dos processos e dos procedimentos. É ele o senhor do movimento, aquele que acelera uma ação, o executor das leis divinas. É ordenador, pois rege a ordem da lei em toda criação, abrindo os caminhos. Representa o líder nato. Ogum usa seu poder e sua espada para socorrer rapidamente aquele que o invoca. Protege os agricultores, os soldados, os artesãos e todos que pedem a sua ajuda nas lutas, na justiça ou até mesmo por melhores condições de vida. Ogum é pleno de energia e empreendedor e suas decisões são rápidas. Os filhos de Ogum são líderes leais e corretos. São pessoas batalhadoras que não medem esforços para atingir seus objetivos. São determinados, com vigor e espírito de competição. Mostram-se líderes natos e corajosos para enfrentar qualquer missão. Ama o desafio. Não recusa luta e, quanto maior o obstáculo, mais desperta a garra para ultrapassá-lo. Por amar o desafio, sempre estão buscando uma tarefa considerada impossível. Não admitem a injustiça e costumam proteger os mais fracos, assumindo integralmente a situação daquele que querem proteger. Arrependem-se quando veem que erraram e tornam-se abertos a novas ideias e opiniões, desde que sejam coerentes e precisas. Não se prendem à riqueza e adaptam-se facilmente em qualquer lugar. Os filhos de Ogum custam a perdoar as ofensas dos outros. Seu temperamento agitado, impaciente e rebelde é notado desde a infância, mas, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e acomodando-se às suas necessidades. Aspectos Gerais Dia: Terça-feira. Símbolo: espada. Metal: Ferro, aço. Elemento: terra. Folhas: peregum, jurubeba, abre-caminho, espada de São Jorge, carqueja, comigo ninguém pode, cinco folhas, etc. Domínios: Caminhos, estradas, progresso, tudo que é feito de ferro. Sincretismo: São Jorge (23/04) ou Santo Antônio (13/06). Cores: Verde ou azul escuro e Vermelho. Comida: feijoada, inhame cozido, milho torrado, égbós, amendoim torrado, feijão fradinho, inhame assado, feijão preto semi-cozido, acaçás. Saudação: “Ogunhê!”




Oxóssi


Oxóssi é o senhor das matas e dos caboclos. É o orixá da caça, guardião das florestas. É o grande caçador pelo que produz na caça, na pesca e na plantação. É o orixá que dá sustento ao corpo através dos alimentos. É um vencedor, pois traz para o povo a fartura, a prosperidade, a cura das doenças pela natureza, a saúde plena. É o orixá da riqueza e do progresso. Na história da humanidade, Oxóssi cumpre um papel civilizador importante, pois na condição de caçador representa as formas mais arcaicas de sobrevivência humana. Rege a lavoura e a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita. Astúcia, inteligência e cautela são os seus atributos, pois, como revela a sua história, esse caçador possui uma única flecha, portanto, é certeira e não erra a presa. Ele é o melhor naquilo que faz por estar permanentemente em busca da perfeição. Oxóssi representa austeridade, despojamento, mudança, constante movimento da natureza em evolução, tudo o que é novo e vibrante. É caçador de almas e de homens e sua busca visa o conhecimento. Atua no bem-estar físico e espiritual dos seres humanos. Como orientador, mostra o caminho a ser seguido pela humanidade. Modifica inteligências e consciências, atuando na mente e no coração. É o cientista e o doutrinador que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados. Os filhos de Oxóssi são grandes conselheiros, incapazes de negar qualquer ajuda a alguém. São calmos, alegres, joviais, amorosos, encantadores, místicos e intuitivos. Têm muitos amigos, mas não gostam de intimidade excessiva. São amáveis e acolhedores, muito embora com forte tendência à solidão. Amam a liberdade e a natureza. São exímios coordenadores de atividades. Possuem grande capacidade de concentração e uma firme determinação de alcançar seus objetivos. Seu olhar observador ganha força no gosto pelo ficar calado e na necessidade de silêncio. Como são pensadores independentes, têm dificuldade em aceitar opiniões diferentes das suas. Aspectos Gerais Dia: quinta-feira. Símbolo: ofá (arco e flecha). Metal: Bronze (latão). Elemento: terra. Folhas: jurema, eucalipto, alecrim do campo, guiné caboclo, samambaia, espinheira santa, etc. Domínios: caça, agricultura, alimentação e fartura. Sincretismo: São Sebastião (20/01). Cor: verde. Comida: Axoxô. Saudação: “Okê Arô - Okê Caboclo”




Ossain


Ossain é o sacerdote guardião das folhas, que por meio delas pode realizar curas e milagres, trazer progresso e riqueza. É nas folhas que está a cura para todas as doenças do corpo ou do espírito. O seu verdadeiro poder está ligado à manipulação das folhas e à produção de poderosos remédios naturais. É ele quem tem o domínio das ervas e o poder da cura. É o senhor das plantas medicinais e litúrgicas, conhecidas como folhas sagradas. Desempenha uma função fundamental no Candomblé, visto que sem folhas, sem a sua presença, nenhuma cerimônia pode realizar-se, pois ele detém o axé que desperta o poder do ‘sangue’ verde das folhas. (Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá). A morada de Ossain é a floresta. Nesse espaço, as folhas crescem em seu estado puro, selvagem, sem a interferência do homem; é também o território do medo, do desconhecido. Medo dos encantamentos ali presentes, respeito pelas forças vivas da natureza. Preservá-las é evitar que consequências desastrosas atinjam os seres humanos. Ossain é um orixá calmo, mestre da tranquilidade, cheio de espírito de aventura, confiança e força de vontade. É ele o protetor dos vegetais. Por ser o senhor da cura e da medicina, dono dos segredos da natureza, é o patrono dos profissionais que trabalham na área da saúde ou que usam plantas para fins curativos. Os filhos de Ossain são pessoas simpáticas, calmas, ingênuas, reservadas, discretas, engraçadas, alegres e obstinadas. Quando querem, vão e fazem. Extremamente equilibrados, não permitem que suas empatias interfiram em sua opinião sobre os outros. Embora estudiosos e sonhadores, não possuem grandes ambições. Pessoas de caráter equilibrado são capazes de controlar sentimentos e emoções. Possuem grande capacidade de discernimento e, às vezes, tornam-se frios e racionais em suas decisões. São valentes e jamais recuam diante das adversidades. Preservam sua liberdade e, mesmo quando precisam, evitam pedir ajuda. São orgulhosas, embora cordiais e dedicadas aos amigos. Aspectos Gerais Dia: quinta-feira. Símbolo: ferramenta de metal (haste com sete lanças voltadas para cima e com um pássaro no topo). Metal: estanho. Elemento: terra e matas. Folhas: todas Domínios: folhas e ervas. Sincretismo: São Benedito (05 de outubro). Cores: Verde e Branco. Comidas: canjica, pamonha, inhame, aipim assado, amendoim torrado, etc. Saudação: Ewé, ewé, assa!




Oxumarê


Òsùmàrè é o orixá do movimento, dos processos, dos ciclos. Representa o ciclo da vida, porque é da união entre masculino e feminino que a vida é gerada. Apesar da ambiguidade, é um orixá masculino. Ele exprime a união de opostos, que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Rege o princípio da multiplicidade da vida, transcurso de múltiplos e variados destinos. Sintetiza a duplicidade de todo o ser: mortal – no corpo – e imortal (no espírito). Oxumarê mostra a necessidade do movimento da transformação. É o orixá da riqueza e da fortuna, representado pela a cobra e o arco-íris. A mitologia explica que Oxumarê mora no céu e vem à terra através do arco-íris. Ele é uma grande cobra que envolve a terra e o céu e assegura a unidade e a renovação do universo. Passa seis meses como homem e os outros seis meses como cobra. É simbolizado miticamente pela forma de uma cobra, que é um animal indivisível que, ao unir sua cabeça à cauda, transfigura-se na figura do círculo perfeito, transformando-se então no símbolo da continuidade. É o princípio, unindo-se ao fim. É a divindade dos opostos porque tem domínio sobre os ciclos da vida. Controla as chuvas e as secas, a noite e o dia, a lua e o sol, o bem e o mal, a vida e a morte, o macho e a fêmea, a saúde e a doença, o material e o imaterial, o céu e a terra etc. Os filhos deste orixá tem temperamento fácil, tendem à renovação e à mudança. São pessoas pacientes e obstinadas na luta pelos seus objetivos e não medem sacrifícios para alcançá-los. A dualidade do orixá também se manifesta nos seus filhos, principalmente no que se refere às guinadas que dão nas suas vidas, indo de um extremo a outro sem a menor dificuldade. Mudam de repente da água para o vinho. Aspectos Gerais
Dia: terça-feira Símbolo: arco-íris, cobra, círculo. Elemento: terra, ar Metal: Latão – Ouro e Prata mesclados Folhas: jiboia, cana-do-brejo, angelicó, mil-homens, cavalinha, graviola, alteia, etc. Comidas: “cobra” feita de batata-doce amassada e banana-figo frita em azeite doce Domínios: Riqueza, vida longa, movimentos constantes, ciclos Sincretismo: São Bartolomeu (24 de agosto) Bebidas: Agua Mineral Saudação: Aho bo boy!




Omolu


O Orixá Omolu, também conhecido como Obaluaiê, é uma poderosa manifestação de Olorum (Deus), associada à terra, à saúde e à riqueza para o povo iorubá e tem o seu nome traduzido como “senhor de todos os espíritos da terra”. Orixá da renovação dos espíritos, senhor dos mortos e regente dos cemitérios, é considerado o campo santo entre o mundo material e o mundo espiritual. Omolu, misericórdia divina com a humanidade, ajuda aos cientistas e estudiosos a investigarem as doenças para descobrirem os remédios para os tratamentos e curas. É ainda reconhecido carinhosamente como “médico dos pobres”, por trazer o alívio às dores dos seres humanos. No campo da evolução humana, atua no momento do encarne – cria a ligação energética entre o espírito reencarnante e o corpo material que irá se desenvolver no ventre materno, promovendo ainda a redução do corpo plasmático do ser que está se ligando à matéria, para que este agora acompanhe nova jornada evolutiva noutra formação física em adaptação. Age também no momento do desencarne, isto é, na passagem do plano material para o espiritual, no sentido de paralisação das forças físicas, sendo conhecido também como “Senhor das Passagens”. Agente da misericórdia, ainda leva o amor divino, a guarida e proteção a todos aqueles seres que caíram, pelas suas impetuosidades, impulsividades, egoísmos e vicissitudes, para que todos esses filhos caídos possam retornar novamente à trilha do progresso. Este grande Orixá se manifesta à visão humana com o corpo coberto de palha da costa, elemento de grande significado ritualístico, principalmente em ritos ligados à morte e ao sobrenatural. Carrega um símbolo chamado Xaxará (Sàsàrà), espécie de cetro de mão, feito de nervuras da palha do dendezeiro, enfeitado com búzios e contas e com pequenas cabaças que representam a sua posição de curador, pois porta os remédios. Com estes instrumentos, capta das casas e das pessoas as energias negativas, bem como “varre” as doenças, impurezas e males sobrenaturais, mostrando, assim, sua ligação com a terra. Os devotos de Omolu lhe atribuem curas milagrosas, realizando oferendas de pipocas (deburus), em sua homenagem ou jogando-as sobre o doente como descarrego. Omolu também está ligado ao interior da terra (ninù ilé) e isso denota uma íntima relação com o fogo, já que este elemento, como comprovam os vulcões em erupção, domina as camadas mais profundas do planeta. É homenageado no dia 16 de agosto, quando há uma grande festa, o Olubajé, que tem como finalidade mostrar aos homens, por meio da comida, da bebida e da dança, que eles devem ser amigos dos seus semelhantes. Os filhos de Omolu são geralmente pessoas muito reservadas, calmas, pacatas, que possuem uma existência sóbria, capazes de se abster da própria vida em prol de outros. São sinceras, inteligentes, excelentes alunos da vida, bons observadores e assimilam com facilidade tudo que veem. Não se esquecem das mágoas sofridas e reprimidas, mas não fazem disso um vale de lágrimas. Divino Orixá que traz a luz violeta para transmutar toda carga negativa, ilumina, ilumina, ilumina os seus filhos para o novo dia da renovação. Atotô! Aspectos Gerais Dia: Segunda-feira Símbolo: Xaxará e lança de madeira Metal: Chumbo Elemento: terra e fogo do interior da terra Cores: branco, preto, vermelho, marrom Folha: mamona Bebida: Aruá Domínios: Doenças epidêmicas, cura de doenças, saúde, vida e morte. Sincretismo: São Roque (16/08) ou São Lázaro (17/12) Saudação: Atotô!




Xangô


Xangô é o orixá da justiça, dos raios, do trovão e do fogo e seu campo de atuação preferencial é a razão, despertando nas pessoas o senso do equilíbrio e da equidade. Xangô é sabedoria, amor e respeito à vida. Ele é o poder transformador do fogo que dá ânimo para nossa vida, queimando e destruindo tudo que é ruim. Ele é dinamismo, é equilíbrio cármico. Xangô é pesado, íntegro, indivisível, irremovível. Seu mistério está representado na rocha, nas pedras fixas e inabaláveis. Sua voz é o trovão, que expande a lei e a ordem divina. É o senhor da justiça e das leis, sejam religiosas, do homem e até mesmo morais. É experiência e sabedoria. Seu machado de dois gumes é o símbolo da imparcialidade, do poder em toda sua plenitude. Sua lei é como rocha, dura e cega. Xangô é poderoso, autoritário e justo, tem um grande e bom coração. Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas. Com sua lei, liberta as consciências em evolução. É rigoroso e não aceita injustiças, falsidades, mentiras ou maldades. Xangô é o orixá que decide sobre o bem e o mal. Ele é ideologia, decisão, vontade e iniciativa. É a rigidez, a organização, o trabalho, o progresso social e cultural. Ele é a determinação de vencer, é a lei de causa e efeito. É o protetor de todos que exercem com bondade as práticas das leis, sejam juízes, advogados, etc. Xangô é o responsável pela solução das pendências e das injustiças, dando a quem merece o devido castigo e a vitória ao injustiçado. É a ele que devemos recorrer nas demandas espirituais, nos processos judiciais e em todos os assuntos ligados à lei e à justiça. Os filhos de Xangô são pessoas confiáveis, benevolentes, diplomáticas, críticas, exigentes e rigorosas. Possuem a habilidade em verem os dois lados de uma questão. São líderes por natureza, justos, honestos e equilibrados. Apresentam uma alta dose de energia e autoestima, uma clara consciência de que são importantes, dignos de respeito e atenção. Mesmo sabendo ouvir, gostam de dar a última palavra. Conscientemente são incapazes de cometer injustiça. Apesar de autoritário, a bondade do filho de Xangô é grande e ele concilia severidade com justiça, exigência com reconhecimento, cobrança com recompensa. Por maiores que sejam as provações que ele tenha que passar, haverá sempre uma sorte fantástica a protegê-lo que o anima e encoraja a prosseguir. É franco, não esconde seus sentimentos, não finge nem dissimula. Quando as coisas não saem como ele deseja, não se deixa prender pelo desânimo e, mesmo tendo que alterar seus planos iniciais, não deixa de acreditar que tudo vai mudar para melhor. Trabalhando muito, com honestidade, conquistará tudo o que merece. Aspectos Gerais Dia: quarta-feira. Símbolo: Oxé (machado de lâmina dupla). Metal: estanho. Elemento: fogo. Folhas: louro, folhas de café, cipó mil homens, hortelã, manjerona, erva de São João etc Domínios: Montanha, raio, trovão, pedreira (formações rochosas) Sincretismo: São João (24 de junho) São Jerônimo (30 de setembro). Cores: vermelho e branco (ou marrom). Comida: Agebô, Amalá. Saudação: Kaô Kabiesilê!




Logunédé


Logunedé ou Logun Edé, do iorubá Lógunède, é um orixá africano que se apresenta na mitologia como filho de Oxóssi Ibualama e Oxum Ipondá. É cultuado na nação Ijexá, como também nas nações Queto e Efan. No Brasil, é cultuado apenas no Candomblé, sendo tratado como orixá menino, contudo, no Panteão das divindades, trata-se de um orixá-filho. Logun é o ponto de encontro entre os rios e as florestas, as barrancas, beiras de rios, e também o vapor fino sobre as lagoas, que se espalha nos dias quentes pelas florestas. Rei de Ilexá (Ijexá - cidade da Nigéria), caçador habilidoso e príncipe soberbo, Logun Edé reúne os domínios de Oxóssi e Oxum e quase tudo que se sabe a seu respeito gira em torno de sua paternidade. Segundo a mitologia, permanece seis meses com as características de Oxum mais evidentes, vivendo nos rios, pescando, e seis meses com as de Oxóssi mais predominantes, vivendo nas matas, caçando. É considerado um orixá “metameta” por confluir as características de Oxum e Oxóssi, o que leva a equivocada interpretação que seria Logun Edé um orixá hermafrodita. Na realidade, trata-se de um orixá masculino, herdeiro das energias de seu pai e sua mãe, que se fundem e se mesclam como mistério da criação. Oxum lhe confere características relacionadas a doçura, o carisma, a maternidade, a pesca e a prosperidade. Oxóssi lhe atribui a astúcia e bravura do caçador, a paciência do pescador, a habilidade e o conhecimento. Porém, Logun Edé tem suas próprias características, traduzidas pelo poder da magia e da riqueza, sendo um grande conhecedor da medicina das folhas. Gosta de internar-se nas matas à procura de lagoas límpidas e profundas, sendo reconhecido como “príncipe das águas azuis”. Assim, tornou-se o amado, doce e respeitado príncipe das matas e dos rios, e tudo que alimenta os homens, como as plantas, peixes e outros animais, tendo a astúcia dos caçadores e a paciência dos pescadores como principais virtudes. Como simbologia, tem no cavalo-marinho o seu representante, devido à postura deste animal, que independe do movimento das marés. Outros animais que têm simbolismo com Logun são: o camaleão, o pavão e o faisão (espécimes de extrema beleza e porte majestoso). Carrega numa das mãos um ofá e na outra um abebé dourado, trazendo ainda uma capanga e um berrante. Pela característica desse orixá, nele se forma um “Triangulo Iorubá”, constituído pelo pai (Oxóssi), mãe (Oxum) e filho (Logun Edé), a exemplo das tríades sagradas: Pai, Filho e Espírito Santo (Catolicismo), Isis, Osíris e Hórus (Egípcia), Brahma, Vishnu e Shiva (Hinduísmo), entre outras. Sincretizado como Santo Expedito, o qual segura a cruz da espiritualidade e o ramo de palmeira, como elemento da natureza – Logun Edé faz analogia, com o espelho de Oxum: representando a espiritualidade, e o arco e flecha de Oxóssi: representando a caça e os elementos da natureza. Para Mãe Menininha do Gantois, "Logun é santo menino que velho respeita". Seus filhos são pessoas agradáveis e educadas. Vestem-se com muita sutileza e elegância. Sensíveis, inteligentes, com raciocínio rápido, “pescam” as coisas no ar. Tenazes, persistentes, nunca desistem de seus objetivos. Procuram sempre coisas novas, pois gostam de viver bem. Possuem grande sensibilidade a tudo que é belo; gostam muito de objetos de arte. É por meio da mistura do amor com a magia que Logun Edé consegue fazer com que seus filhos tenham uma vida harmoniosa e se tornem pessoas mais equilibradas. Aspectos Gerais Dia: quinta-feira; Símbolo: Ofá (Arco e Flecha), Abebè (Espelho na mão) e Cavalo-marinho; Elemento: Terra (floresta) e Água (de rios e cachoeiras); Folhas: As mesmas de Oxóssi e de Oxum; Domínios: Riqueza, Fartura e Beleza; Sincretismo: Santo Expedito (19 de abril); Saudação: Loci loci, Logun!




Tempo ou Iroko


Tempo ou Iroko é um orixá muito antigo. Iroko é a árvore primordial. É o primeiro presente da terra aos homens. Existe desde o princípio dos tempos, a tudo assistiu, resistiu e resistirá. É uma poderosa árvore que abriga divindades ancestrais e liga a terra ao céu e foi por ela que todos os demais orixás desceram à terra. Em todas as reuniões dos orixás ele está sempre presente, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam diretamente na sua ação eterna. É o orixá das florestas, das árvores, dos espaços abertos. Governa o tempo em seus múltiplos aspectos. É implacável. Age nas mudanças climáticas e nas variações do tempo. Acompanha e cobra o cumprimento do carma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo. É um orixá raro, de poucos filhos. Iroko é a própria representação da dimensão tempo. É o Senhor que está sempre em movimento entre uma e outra extremidade dos polos. Tempo é simultaneamente equilíbrio e desequilíbrio. Ele é o segundo, o minuto, a hora, os dias, os anos, os séculos e os milênios. Tempo rege as estações do ano sendo responsável pela passagem de uma para outra. Está ligado ao frio, ao calor, à seca, às tempestades, ao ambiente pesado e ao ambiente agradável. É o senhor da cronologia e da meteorologia, é o responsável pelas catástrofes que assolam a terra, as quais vêm advertir a humanidade que precisa zelar pela natureza, e não dominar a sua força. Tempo está vinculado ao meio ambiente, pois qualquer choque ambiental tem a sua regência. Ligado intimamente aos quatros elementos da natureza, é a essência da vida reprodutiva, do poder da terra, do perene e imutável ciclo vital. Ensina ao homem a compreender as leis divinas, e não desafiá-las. No Brasil é considerado o protetor de todas as árvores e está associado, em particular, à gameleira branca. É o protetor das crianças indefesas. É invocado geralmente em situações difíceis, como quando ocorre o desaparecimento de pessoas ou em sérios problemas de saúde físico ou mental. Os filhos de Iroko são eloquentes, inteligentes, sábios, camaradas, alegres, temperamentais, competentes, teimosos, turrões e generosos. Habilidosos profissionais e seres dotados de nobres vibrações. Carregam o perfil psicológico daquele que mais ouve do que fala. Seus filhos são dotados de grande senso de justiça. Possuem caráter firme, sem hesitações. Adoram cozinhar, dançar, celebrar, conversar e, quando envelhecem, não perdem a jovialidade. Aspectos Gerais
Dia: terça-feira Símbolo: gameleira branca ou outra árvore (tronco) Elemento: fogo, água, terra e ar. Folhas: iroco, flores brancas, orquídeas, etc. Domínios: ancestralidade, vida, morte, doenças, catástrofes, força da natureza, tempo. Sincretismo: São Francisco de Assis (4 de outubro) e São Lourenço (10 de agosto). Cores: branco, verde e cinza (castanho). Comida: inhame, ajabó, o caruru, feijão fradinho, o deburu, o acaçá, o ebô e outras. Saudação: Zará Tempo! Tempo Yió! Iroko Kissilé!




Ibeji


IBEJI é o único orixá permanentemente duplo. A palavra Igbeji quer dizer gêmeos. Forma-se a partir de duas entidades distintas que coexistem, respeitando o princípio básico da dualidade. Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. O Erê é o intermediário entre a pessoa e seu Orixá, é o aflorar da criança que cada um guarda dentro de si, que reside no ponto exato entre a consciência da pessoa e a inconsciência do orixá. É por meio do Erê que o Orixá expressa sua vontade. Ibejis são duas divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Portanto, enquanto os erês são entidades infantis ligadas aos orixás e seres humanos, os Ibejis são divindades infantis, orixás-criança, mas que são venerados como uma só divindade. Sendo gêmeos são associados à dualidade (masculino e feminino, vida e morte, claro e escuro, sentidos opostos em geral latentes em cada ser humano). Por serem crianças são ligados a tudo que se inicia e brota, seja a nascente de um rio, o nascimento das crianças, o germinar das plantas e o desabrochar de novas vidas. São a personalização da inocência, da inconsequência, mas também simbolizam o equilíbrio e a ponderação. Ibeji é a divindade que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. Sua determinação é tomar conta do bebê até a adolescência, independentemente do orixá que a criança carrega. A sua regência volta-se para as brincadeiras, para a energia e a sagacidade de todos que se preocupam em preservar a criança que trazem dentro de si. Tem o poder do crescimento e da transposição de barreiras, trazendo com ele a capacidade de fazer a vida fluir tranquilamente, permitindo que o ser humano alcance a prosperidade e o progresso. Seus filhos são pessoas com temperamento típico infantil. Costumam ser brincalhonas, sorridentes, irrequietas e nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Sua leveza diante da vida transparece no seu eterno rosto infantil, em sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia. Suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecem com facilidade e sem deixar grandes marcas. Na natureza, os Ibejis se fazem presentes na beleza do canto dos pássaros, no vôo das aves, na beleza e perfume das flores, na criança que temos dentro de nós e nas recordações da infância. No sincretismo religioso os Ibejis são associados aos santos católicos Cosme e Damião. Aspectos Gerais Dia: domingo Símbolo: dois bonecos gêmeos em madeira, duas cabacinhas. Metal: estanho Elemento: ar e terra Folhas: jasmim, alecrim, rosa. Domínios: nascentes de rios, praças, jardins, parto, infância, amor
Sincretismo: Cosme e Damião (27 de setembro) Comidas: caruru, cocada, cuscuz, frutas e doces. Bebidas: suco de frutas, guaraná. Saudação: Bejí Eró!




Iansã


Iansã é um Orixá feminino, também cultuada sob o nome de Oyá. Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de Santa Bárbara. O nome Oyá significa “raio”, Oyá recebeu o nome de Iansã por também fazer referência ao entardecer. Iansã pode ser traduzido como a mãe do céu rosado ou a mãe do entardecer. Costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si. Dentre seus títulos, podemos citar “senhora dos ventos”, “senhora dos raios”, “rainha dos Eguns” (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo chamado Eruexim - seu instrumento litúrgico durante as festas, uma chibata feita de rabo de um cavalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal. Como a maior parte dos Orixás femininos cultuados inicialmente pelos iorubás, é a divindade de um rio conhecido internacionalmente como rio Níger, ou Oyá, pelos africanos, isso, porém, não deve ser confundido com um domínio sobre a água. Orixá guerreira, é força de magia que afasta males e influências negativas, amparando a todos que a ela recorram. Seu poder vibratório anula cargas, vencendo nesse sentido demandas e feitiços de qualquer natureza. É a aplicadora da lei na vida dos seres emocionados pelos vícios. Seu campo preferencial de atuação é o emocional dos seres: ela os esgota e os redireciona, abrindo-lhes novos campos por onde evoluirão de forma menos "emocional". Dominando os ventos, Iansã transforma-os em tempestades, tufões, furacões e ciclones, mas também possibilita que o ar que respiramos torne-se puro e limpo, equilibrado na quantidade exata de oxigênio necessária à vida na terra e nas águas. Iansã relaciona-se amplamente com todos os elementos da natureza: água, ar, terra, fogo e também com as matas. Seu vento movimenta as águas; ajuda a revolver as terras, possibilitando a agricultura; atiça o fogo; dá vida à imobilidade; oferece ao homem sua energia, a energia eólica, sem custo algum. O fogo é também um de seus símbolos mais marcantes e um elemento primordial, porque o homem conseguiu, através dele, um grande progresso em sua existência. O fogo sustenta a vida! Possui também o simbolismo do calor da paixão, do amor necessário às espécies que esquenta e impulsiona o coração! Os filhos de Iansã são pessoas que chamam a atenção por sua postura física imponente. São diretos com as palavras, costumam ser dinâmicos, possuindo grande energia e imenso rigor. Alegres e muito carismáticos, são agradáveis de conviver. São generosos, apaixonados pela vida, independentes e muito batalhadores. A amizade para eles é algo muito sério, que deve ser conservada com muito zelo e responsabilidade. Aspectos Gerais Dia: quarta-feira (simboliza o elemento fogo) Símbolo: Alfanje, chifre de búfalo e Eruexim (rabo de cavalo com cabo de ferro ou cobre) Elemento: fogo e ar Folhas: bambu, sensitiva, espada de iansã, louro, manjericão, pitangueira etc. Domínios: atmosfera Aspectos da Natureza: vento, tempestade
Cores: vermelho e branco, apenas vermelho, apenas branco. Metais: cobre Sincretismo: Santa Bárbara (04 de dezembro) Saudação: Eparrei, Oya! Eparrei Inhansã!




Oxum


Osun, Oshun, Ochun ou Oxum, na Mitologia Yoruba é um orixá feminino. O seu nome deriva do rio Osun, que corre na Iorubalândia, região nigeriana de ijexá e Ijebu. É representada pela Umbanda e Candomblé, material e imaterialmente, por meio do assentamento sagrado denominado “igba oxum”. Deusa da beleza e da meiguice, inconstante e movimentada como suas águas doces, orixá dócil, guerreira e sensual com uma variedade de sobrenomes chamada de Abalu, Iêiê Pondá, Opará, Igemu, Iêiê Káre, Iyá Mapô, Onira, Ayalá, etc. Possui qualidades que a simbolizam com a feminilidade, sensualidade e maternidade. A sua saudação Ore Yêyê ô, encanta e aclama os filhos da Oxum, a senhora da cabeça, a cabeça que representa o mundo, o mundo que é gerador de vidas, as vidas que surgem das barrigas, as barrigas que são regidas por esta divindade. Oxum é a Divindade que atua na vida dos seres, estimulando em cada um os sentimentos de amor, fraternidade e união. Ela dá de beber às folhas de Ossain, aos animais e plantas de Oxóssi, esfria o aço forjado por Ogum, lava as feridas de Obaluaiê, compõe a luz do arco-íris de Oxumarê. Oxum está em tudo, pois, se amamos algo ou alguém é porque ela está dentro de nós. Como o rio, que sempre caminha para o mar, a Oxum está diretamente ligada à Rainha do Mar (Iemanjá), encabeçando a legião das sereias de águas doces. No sincretismo chamamos de Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora da Conceição, festejada no dia 08 de dezembro. Ha um rio que tem o seu nome e desagua na Lagoa de Oloba próximo ao Golfo de Guiné, depois do território de Ijexá. Dessa forma, o toque dos atabaques para a dança, denominado Ijexá, mostra a beleza da mulher faceira que exibe os seus colares e as pulseiras, dançando diante de um espelho, vaidosa, linda e sedutora. Oxum é a força dos rios que correm sempre adiante, levando e distribuindo pelo mundo sua água que mata a sede. É a Mãe da água doce e Rainha das cachoeiras. Orixá da prosperidade e da riqueza interior, ela é a manifestação do amor, puro, real, maduro, sensível e incondicional, por isso é associada à maternidade e ligada ao desenvolvimento da criança ainda no ventre da mãe. É Oxum que gera o nascimento de novas vidas que estarão no período de gestação numa bolsa de água. Na natureza, o culto a Oxum costuma ser realizado nos rios e nas cachoeiras e, mais raramente, próximo às fontes de águas minerais.
Aspectos Gerais Dia: sábado Símbolos: abebé, adaga, espada Elemento: água Folhas: oriri, colônia, saião Domínios: Água doce, rios, cachoeiras Sincretismo: Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora da Conceição Saudação: Ora yê yê ô!




Iemanjá


Iemanjá é um orixá feminino de origem africana cultuada no Candomblé e na Umbanda. O seu nome tem origem nos termos do idioma iorubá “Yèyé omo ejá”, que significam “Mãe dos filhos peixes”. No Brasil, a deusa Iemanjá recebe diferentes nomes, dentre eles: Dandalunda, Inaé, Ísis, Janaína, Marabô, Maria, Mucunã, Princesa de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Sereia do Mar, Majestade dos Mares, Senhora dos Oceanos, Sereia Sagrada, dentre outros nomes. Iemanjá é a rainha das águas salgadas, regente absoluta dos lares, protetora da família. Chamada também de Deusa das Pérolas, é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento de nascimento. É conhecida como “senhora dos mares” e “mãe de todas as cabeças” (iyá ori). Este título tornou-a responsável pelo equilíbrio emocional, psicológico e espiritual do ser humano, provendo o homem da harmonia necessária para ter uma boa existência e convivência no aiê. Iemanjá representa a água que refresca e dá vida à terra, que ajuda na procriação e na geração de novos seres. Ela é a água que acalma. No oceano, Iemanjá controla as marés através das fases da Lua e com a força do vento que agita suas águas e faz com que elas se mostrem ora calmas, ora tenebrosas e temerárias. Iemanjá é a padroeira dos pescadores. É ela quem decide o destino de todos aqueles que entram no mar. Iemanjá é força da natureza que tem papel muito importante em nossas vidas, pois é ela que rege nossos lares, nossas casas. É ela que dá o sentido da família às pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ela é a geradora do sentimento de amor ao seu ente querido, dando sentido e personalidade ao grupo formado por pai, mãe e filhos, tornando-os coesos. Rege as uniões, os aniversários, as festas de casamento, todas as comemorações familiares. É o sentido da união por laços consanguíneos ou não. Está associada aos rios e suas desembocaduras, à fertilidade das mulheres, à maternidade e, principalmente, ao processo de criação do mundo e da continuidade da vida. Iemanjá, por ser um dos Orixás mais cultuadas nas religiões de descendência africana, é das mais ricas em mitos e mais conhecida. Existe sincretismo entre Iemanjá e as santas católicas Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Glória. Os filhos de Iemanjá são fortes, equilibrados, amorosos, inteligentes, trabalhadores, sensitivos, corajosos, imponentes, educadores, generosos, calmos, rigorosos, decididos e cheios de dignidade. Zelam pela família, pelo equilíbrio e harmonia no lar. Promovem a paz. Exageram nas verdades e têm certa dificuldade em guardar segredo. São excelentes psicólogos. Perdoam uma ofensa, mas não a esquece. São sérios, maternais e preocupam-se com os outros. Aspectos Gerais
Dia: sábado Símbolos: abebé, leque, alfange, agadá, obé, peixe, couraça, adê, braceletes, e pulseiras. Metal: prata. Elemento: água Folhas: alfavaca, macaçá, capeba, lágrimas de Nossa Senhora, Jasmim, alfazema, lavanda, etc. Domínios: oceanos e praias Sincretismo: Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora das Candeias (08 de dezembro e 02 de fevereiro) Cores: azul e branco. Comida: manjar branco, acaçá, peixe de água salgada, bolo de arroz, ebôya, ebô e vários tipos de furá, melancia, cocada branca. Saudação: Odoyá! Odoyá iemanjá!"




Obá


Obá é um Orixá ligado às águas revoltosas. Obá é um Orixá do amor, das paixões, com todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar. Representa a mulher consciente do seu poder, que luta e reivindica os seus direitos, que enfrenta qualquer homem – menos aquele que tomar o seu coração. Ela abraça qualquer causa. Em toda a África Obá era cultuada como a grande deusa protetora do poder feminino, por isso também é saudada como IyáAgbá, e mantém estreitas relações com as Iya Mi. Era uma mulher forte, que comandava as demais e desafiava o poder masculino. Corajosa e destemida, Obá tem características que a assemelham e a ligam a outras divindades femininas, como Oiá e Iewá. O gosto pela batalha é o que movimenta Obá e lhe garante muita liderança. Obá não aceita a injustiça com o ser humano, seja na parte social, jurídica ou religiosa, e está sempre ao lado do que for mais justo e correto. Não gosta de ações ou pessoas que tragam prejuízos a outrem, acreditando que o ser humano deve buscar ser feliz, mas sem tornar infeliz o seu semelhante. Por esse entendimento e comportamento, é uma divindade leal para com seus objetivos, que não perdoa nem ajuda aqueles que fogem dos seus princípios morais. Obá é um orixá que aquieta e densifica o racional dos seres, já que seu campo preferencial de atuação é o esgotamento dos conhecimentos desvirtuados. Ela é encarregada de paralisar os excessos cometidos pelas pessoas que dominam o conhecimento religioso, aquietando-as antes que cometam erros irreparáveis. As pessoas consagradas a essa divindade têm grande senso de justiça e amizade. Consideram a estima e a afeição sentimentos que vencem qualquer obstáculo. Em geral são valorosos e incompreendidos, chegam a ser duros e inflexíveis e são dotados de uma sinceridade que fere. Possuem uma agressividade que é puramente defensiva. São bons companheiros e amigos fiéis.
Aspectos Gerais
Dia: quarta-feira. Símbolos: ofange (espada), escudo de cobre, Ofá (arco e flecha) Metal: cobre. Elementos: fogo e águas revoltas. Folhas: iroco, mutamba, nega-mina, mangueira, rosa branca. Domínios: amor e sucesso profissional. Sincretismo: Santa Joana d'Arc (30 de maio). Cores: vermelho, branco e amarelo (e derivações) Comida: Abará. Saudação: ObàSiré!




Yewa


Também conhecida como ÌyáWa. Assim como Iemanjá e Oxum, também é uma divindade feminina das águas e, às vezes, associada à fecundidade. Divindade feminina da guerra e da caça, e como a maior parte dos Orixás femininos cultuados inicialmente pelos iorubás, é a divindade de um rio conhecido como Iewá, na Africa, que fica na antiga tribo Egbado (atual cidade de Yewa) no estado de Ogun na Nigéria. É dotada de raríssima beleza e seu nome pode ser traduzido como “senhora da beleza, da grandiosidade”! Conforme apontado perante seu culto, recebeu de Olorum a condição de ensinar ao ser humano as diferenciações que se completam e se complementam, como o frio e o calor, a noite e o dia, o bom e o mau etc. Também conhecida como “a senhora da saúde”, consegue transformar a doença em saúde ou vice-versa. Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de Santa Luzia, a protetora dos olhos que é comemorada em 13 de dezembro. É a padroeira dos oftamologistas e daqueles que têm problemas de visão. Apesar de apresentar elementos tanto da terra como do ar, é inserida no elemento água, principalmente a água da chuva, e também na faixa branca do arco-íris. Isto lhe possibilita suprir a terra constantemente de água, mostrando a versatilidade de sua transformação e a sua adaptação aos variados ambientes. É reverenciada como a dona do mundo e dona dos horizontes. Se você quer melhorar ou preservar sua visão sobre o mundo, entre em sintonia com a energia desse Orixá, e se puder, tome um banho de cachoeira ou de chuva. Conforme se crê, as virgens contam com sua proteção e, aliás, supostamente tudo o que é inexplorado conta com sua proteção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode navegar ou nadar. A própia Ewá, acreditam alguns, que só rodariam em mulheres virgens (o que não se pode comprovar), pois ela mesma seria uma virgem. Entretanto, uma característica marcante de Ewá é não subir a cabeça de homens, sendo um orixá feito somente em filhos de santo mulheres. Ewá é o Orixá da alegria, do belo, dos cantos, da vida e das belezas que a vida nos dá. Ewá é quem rege todas as mutações, sejam elas orgânicas ou inorgânicas; é o Orixá responsável pela mudança das águas, de seu estado sólido para gasoso ou vice-versa. Ela é quem gera as nuvens e chuvas: quando olhamos para o céu e vemos as nuvens formando figuras, pois ali esta Ewá, dando diferentes formas. É responsável pelo ciclo interminável de transformação da água em seus diversos estados. Ela está ligada às mutações dos vegetais e animais e às mudanças e transformações, sejam bruscas ou lentas; Ewá é o desabrochar de um botão de rosa, ela é uma lagarta que se transforma em borboleta, ela é a água que vira gelo e o gelo que vira água, ela quem faz e desfaz. Ewá é a própria beleza contida naquilo que tem vida, é o som que encanta, é a alegria, é a transformação do mal para o bem: enfim, Ewá é a vida. Patrona da sensibilidade e “senhora da visão”, permite ao homem a condição de se beneficiar e apreciar a beleza que o rodeia. Os filhos de Ewá costumam ser elegantes, de boa aparência, delicados, sensíveis e requintados. Prezam geralmente por uma vida pacata e límpida. São pessoas extremamente educadas, dignas, de bom gosto, que não compactuam com baixarias e vulgaridades. Extremamente fieis e leais, buscam manter uma relação estável e saudável com as pessoas que os circundam. Marcadas pela intelectualidade, estão atentos sempre à modernidade, novidades por meios de estudos e pesquisas. Introspectivos, têm como traço seu equilíbrio e tranquilidade. São prestativas e se preservam quanto a moral e educação, ou expor seus sentimentos. Religiosas e sensitivas, conseguem através da meditação alto grau de vidência e percepção, devendo utilizar esse dom sempre para ajudar seu próximo. Aspectos Gerais Dia da semana: sábado Símbolos: Ejô (cobra) e Espada, Ofá (lança ou arpão) Elementos: Astros e Estrelas, Águas das nascentes, nuvens Folhas: vitória-régia, cana do brejo, erva-de-Santa-Luzia, etc. Cores: Amarelo-escuro, Coral e Vermelho Comida: milho com côco, batata doce, canjiquinha, banana da terra inteira feita com azeite de dendê e com farofa do mesmo azeite Plantas: Arrozinho, baronesa (alga), golfão. Domínio: olho d'água Pedras: rubi e quartzo rosa Metal: cobre Sincretismo: Santa Luzia (13 de dezembro) Saudação: Riró!




Nanã


Nanã Buruku, a deusa dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo. Senhora de muitos búzios, Nanã sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral do nosso povo e é respeitada como mãe por todos os outros orixás. Nanã é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte. Ela é a origem e o poder. Entender Nanã é entender o destino, a vida e a trajetória do homem sobre a terra. Nana é água parada, é barro, é vida, é morte, é a mãe maior, é a luz que nos guia. Ela pode ser a lembrança angustiante da morte para aqueles que encaram esse momento como algo negativo e pode ser um fardo extremamente pesado que todo o ser carrega desde o seu nascimento. É na morte, condição para o renascimento e para a fecundidade, que se encontram os mistérios de Nanã. Respeitada e temida, deusa das chuvas, da lama, da terra, juíza que castiga os homens faltosos. Seu cetro primordial, o ibiri, feito com palha-da-costa, também é enfeitado com búzios e é reconhecido como seu descendente, porque nasceu com ela, está contido nela e carrega todo o seu poder. É a Grande Mãe de onde tudo nasce e tudo retorna. Dona da sabedoria e da justiça que vem da natureza. Nanã é o orixá que rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional dos seres. Liberta o passado para iniciar um novo ciclo com consciência e clareza numa condição mais equilibrada. Atuando na passagem do plano espiritual para o material (encarnação), ela age na decantação emocional e no adormecer dos conhecimentos do espírito que irá encarnar para não haver interferência no destino da nova vida a ser vivida. É o orixá responsável pelos portais de entrada (reencarnação) e saída (desencarne) das almas. É a grande Orixá, mãe e avó, protetora dos idosos (fase em que as recordações começam a ser adormecidas), padroeira da família, tem o domínio sobre as enchentes, as chuvas, bem como o lodo produzido por essas águas. É a dona do axé por ser o orixá que dá a vida e a sobrevivência, a senhora dos ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens. As filhas de Nanã são pessoas extremamente calmas. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. Gostam de crianças e educam-nas com excesso de doçura e mansidão, assim como as avós. Quando mães são apegadas aos filhos, muito protetoras, ciumentas e possessivas. Exigem atenção e respeito, são introvertidas e não gostam de muitas brincadeiras. São majestosos e seguros nas ações procurando sempre o caminho da sabedoria e da justiça. São pessoas bondosas, decididas, conservadoras, simpáticas, mas principalmente respeitáveis. Em geral têm uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fosse muito mais velha do que sua própria existência. O perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural. Aspectos Gerais Dia: sábado Símbolo: ibiri Elementos: água e terra Folhas: fortuna, samambaia, manacá, melão-de-são-caetano, crisântemo roxo. Domínios: lagos, pântanos, águas profundas, lama, barro, vida e morte, cemitério. Sincretismo: Sant'Ana (26 de julho) Cores: roxo e lilás. Saudação: Saluba, Nanã!




Oxaguiã


Senhor dos contrastes, poderoso estrategista e astucioso, Oxaguiã é o guerreiro jovem da família dos orixás funfuns (Orixás brancos). É saudado como Eleejigbô, o “senhor de Ejibgô”, na cidade de mesmo nome, na Nigéria. No Brasil, possui diversos codinomes: Orixá Oguiã, Oxalaguiã, Oxaguim, Xaguim, Oxodim. Alguns o tratam como o filho de Oxalufan, considerado como o mais novo dos orixás do panteão de branco, mas isto não o transforma em um jovem, pois nenhuma divindade integrante deste grupo é considerada jovial, porque são pertencentes à época da criação, o que os torna possuidores da idade imemorial. Oxaguiã só é menos ancião que seu pai. Outros dizem que Oxaguiã é o Oxalá novo, aquele que carrega a espada e o escudo. Também conhecido como Ajagunã, é o conflito que antecede a paz, a própria a revolução que dá início à evolução, visando o futuro de maneira abrangente e não superficial, necessária ao dinamismo da vida e da sociedade, e busca do conhecimento. Orixá do progresso e da cultura, o Orixá da vida e também da efervescência da vida, da discussão, da guerra e do avanço, da estratégia, da inteligência, do branco, do claro, do positivo e do masculino! Oxaguiã é também guerreiro e destrói para concretizar que o novo se estabeleça. É o patrono da agricultura e das árvores. O grande orixá do inhame pilado. É o único orixá funfun que guerreia, usando para isso uma espada e um escudo que recebeu de Ogun. Além do raciocínio, esse orixá usa o artifício da guerra em determinados momentos. Grande estrategista, não entra numa guerra sem antes pensar muito bem para não pôr em risco seus exércitos. Antes de guerrear ele tenta promover a paz. Foi ele quem trouxe para o homem o ensinamento da pacificidade, da disciplina, da hierarquia e do respeito e, por isso, gosta de mostrar a guerra e a paz, para que o ser humano possa fazer sua escolha. As pessoas com problemas de saúde a ele recorrem para que intervenha e faça a vida prevalecer sobre a morte, porque ele transita nestes dois campos. Esta sua vida/morte é comprovada pelo uso de suas cores: o branco, elemento símbolo do ar, da vida, produto do orum, e o azul (o seguí), representando o preto da terra, elemento do aiê. Oxaguiã promove a comunicação entre todos os orixás e também entre estes e os homens. Oxaguiã criou o pilão (ojó odó) e a mão-de-pilão, que se tornaram seu emblema e proporcionaram-lhe o título de “senhor do pilão”. Este utensílio, dentro da religião, também pertence a Xangô, o orixá patrono dos elementos fabricados com a madeira. Oxaguiã representa o nascer do dia, simbolizando o primeiro raio de Sol que esquenta a terra fria da madrugada. Ele é a claridade vencendo e cortando a escuridão da noite, “acordando” o dia e ajudando o homem a criar um novo ciclo de vida. Os filhos de Oxaguiã são trabalhadores, organizados e lutadores, ótimos líderes e estrategistas e bons parceiros, tanto na vida pessoal e amorosa, como nas amizades. São pessoas generosas, alegres, extrovertidas e felizes. Dedicados e bondosos, sabem fazer e conservar amigos. Seu lado intelectual é bem desenvolvido. Gostam de desafios e defendem os injustiçados e incompreendidos, procurando sempre estar em defesa da verdade, por meio da argumentação. Embora sejam guerreiros, não procuram confusões ou brigas, e não costumam ser agressivos. Aspectos Gerais Dia: sexta-feira Símbolo: espada, mão de pilão, varas de atori, ofá Elementos: o ar e a atmosfera Folhas: cana-do-brejo, manjericão, alecrim, boldo, levante Domínios: lutas diárias (pelo sustento e trabalho), paz, alimentação Sincretismo: Menino Jesus de Praga, Espírito Santo Saudação: Xeueu, Babá!




Oxalufan


Oxalufan ou Oxalá é o primeiro e grande Orixá estando associado à criação do mundo e da espécie humana. É o Senhor do espaço físico, pois foi o seu criador e também o responsável por tudo que existe. Ele é ar, a essência da vida, o princípio da criação, o vazio, o branco, a luz, o espaço onde tudo pode ser criado, a paz, a harmonia, ele é a sabedoria que vem após o conflito, o fim e o recomeço. Sob sua regência estão os princípios mais antigos da existência humana, como a agricultura, e os que remontam ao princípio da existência, como a ancestralidade, a vida e a morte, a quem está intimamente ligado. O opaxorô é seu cetro real e um apoio para o seu caminhar. Caminha apoiado neste cajado cerimonial, que é também o símbolo da ligação que ele estabeleceu entre o Orun (céu) e o Ayê (terra). O alá é o pano branco que simboliza a parte divina, que encobre e protege a parte física, escondendo o seu poder e sua realeza no plano material. Oxalufan é o patrono dos princípios da retidão moral, das tradições e da religião permitindo a perpetuação e a evolução religiosa através dos ensinamentos das liturgias, dos dogmas e da hierarquia. Ele faz despertar em nosso íntimo os sentimentos de fé. Oxalá é a fonte original de toda luz, a face única que encerra todas as faces, a síntese do amor. Ele é o pai e o filho no mistério da unidade. Seu manto é branco, o raio que contém todas as cores. De movimentos lentos e idade imemorial, é considerado o orixá da paz e bem-estar da humanidade, da paciência e tudo que se refere a ele é ligado à calma e à tranquilidade. Gosta da ordem, da limpeza e da pureza. Oxalá é o pai que ama, dá carinho, acalenta e acompanha o filho por toda a vida. Oxalufan é a renovação da vida. É o compasso da terra, representação do princípio da criação, espaço onde tudo pode ser criado. É a paz, harmonia e sabedoria que vêm depois do conflito. Por ele as atividades retomam forças e os objetivos se redefinem. É o orixá que limpa e define as coisas. É o brilho que define tudo, que exalta os ânimos, os costumes e as virtudes, que traz à tona a verdade e os contrastes, colocando tudo em seu devido lugar. Os filhos de Oxalá são literalmente tranquilos e equilibrados, calmos no andar, no agir e no pensar, pois têm a certeza de que tudo se resolve. São prestativos, mas nunca subservientes. Organizados, teimosos, agradáveis, grandes pais ou mães, comedidos e sempre com uma palavra de consolo para seus filhos. Sabem como lidar com todo tipo de gente e com diplomacia consegue tirar sempre o melhor das pessoas. Em geral são compenetradas, introspectivas, de forte poder de liderança e capacidade de decidir, de resolver, de aconselhar. São interessadas, amigas, sonhadoras, escrupulosas e muito honestas. Os filhos de Oxalá são amáveis, prestimosos e espiritualistas. São capazes de solucionar problemas com sabedoria e agilidade, porém podem tornar-se calados e temperamentais. Aspectos Gerais Dia: sexta-feira. Símbolo: opaxorô (cajado) Metal: prata, ouro branco, chumbo e níquel. Elemento: ar. Folhas: lírio, manjericão, macaçá, girassol, malva, boldo.
Domínios: Atmosfera e céu. Sincretismo: Jesus Cristo, Senhor do Bonfim (15/01)
Cores: branco leitoso. Comida: canjica, acaçá de inhame, arroz com peito de frango, arroz doce. Saudação: Xeueu, Babá!





Razão Social: Centro de Formação Espiritual Águas de Aruanda
CNPJ: 021.469.181/0001­70

End: Av. João José de Santana, 1216 - Robalo - CEP: 49005-050 
Aracaju - SE

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