Os Sete Sorrisos de um Preto Velho



Em uma estrada longa estava um velho com um cachimbo na mão e um chapéu de palha colocado à cabeça de modo a disfarçar os olhos amendoados e com aspecto misterioso.

Perto dessa estrada estavam alguns elementos naturais, algumas civilizações... Perto dessa estrada tinha muita gente e ao mesmo tempo não tinha ninguém, pois nessa estrada tudo depende de quais olhos vão enxergar o conjunto de pedras que há em cada um.

Perto dessa estrada tinha muito olho grande, mas também tem muito olho miúdo escondido para quase nada enxergar e ao mesmo tempo cansado de tanto enxergar. Afinal, vale mesmo a pena estar com os olhos tão abertos para enxergar o que ainda não está preparado para conhecer? Ou melhor mesmo é ficar com os olhos miúúúúdos para nem querer saber sei lá o quê?

Independentemente do tamanho e do jeito dos olhos, abre-se o primeiro sorriso para abrigar a não desistência da vida, eis o primeiro passo dado pelo velho senhor nessa estrada. Um sorriso encorajador, um sorriso que desperta coisas que ainda o sol ainda não desperto, um sorriso que mostra a ponta da pedra embrutecida que cada um tem dentro de si.

Depois de olhar para o primeiro sorriso do velho, fiquei a observar o segundo movimento, este alargando mais a boca e mostrando um pouco os dentes, mas ainda com certa lentidão, pois não é fácil estar por inteiro com a vida inteira condicionando para a introspecção e egoísmo. Sabe aquele sorriso tímido de quem quer se entregar e não quer perder o controle? Então, era assim o segundo sorriso do velho.

Depois de um pouco mais olhar e sentir, pude observar um terceiro movimento na face do velho e agora abre mais a boca e mostra mais os dentes, ainda meio tímido, porém mais confiante de que na vida tudo pode melhorar, bastar acreditar. Um terceiro sorriso que desperta a alma e acalma o coração só de enxergar, nunca mais tinha sentido um abraço desses por um sorriso.

Nunca mais prestei atenção para quantos abraços as pessoas distribuem diariamente para mim e eu nem percebo por falta de tempo e de vontade. Nunca mais saí da minha casa para poder enxergar o que o mundo quer me mostrar verdadeiramente. Nunca mais... Percebendo minhas reflexões e sentindo meu coração acelerar, o velho enlargueceu mais o rosto fazendo nascer o quarto sorriso, esse com mais força e certeza de si, daqueles sorrisos que a gente corre logo para o abraço, sem moderar quanto de distância vai levar, mais o que importa é sentir o aconchego dentro do sorriso convite. Um abraço dado não só pelo sorriso, mas por braços acolhedores fazem nascer em nós um sentimento de que vale muito a pena viver e que na vida só vale o que for feito de coração porque isso ninguém tira de dentro, fica como um registro infinito capaz de não soltar por nada, somente na hora de prestar informação do que realmente foi de verdade na existência.

Já dentro do abraço, tive o privilégio de enxergar o quinto sorriso, esse com muita vontade de viver e com um olhar de penetrar até a alma. Um sorriso que nos faz sorrir sem ter vontade, um sorriso sem ouvir o engraçado da vida, mas um sorriso que contagia quem está envolvido por ele. Você já deu um sorriso provocado desse jeito? É uma mistura de não sei o que com o que pouco pode importar, com o coração cheio de alegria, leveza e paz.

E mergulhado nesses sentimentos, o sexto sorriso veio com muita força dando muita gargalhada, balançando tudo que estava ainda perdido dentro de mim. Tudo e nada faziam sentido, porque o certo e o errado agora não tinha vez, pois eu queria era sentir e enxergar tamanho sorriso daquele velho na estrada.

A cada vez que olhava parecia que o som da gargalhada fica mais alto, por um momento fiquei até com vergonha do que os outros poderiam pensar, mas depois me lembrei de que na vida é cada um por cada um, principalmente quando estamos escrevendo nossa história com o povo de velha sabedoria. Cada um por si e ao mesmo tempo todos integrados como um único fio condutor na mesma energia elétrica que invade e permeia o Cosmos.

Pensando que já tinha encerrado, veio o mais emocionante sorriso, o sétimo sorriso com lágrimas nos olhos de tamanha gratidão por estar no agora, aproveitando o que a vida estava a oferecer gratuitamente. Não havia risco de me perder porque, na verdade, eu queria mesmo era me afogar em todas aquelas lágrimas, sorrisos e gargalhadas e não sair nunca mais... Porém, a realidade sempre nos chama para o agora, não deixando que a história fique pela metade. E se é para aproveitar, vivamos cada dia de vez percebendo os sinais e recados com os olhos abertos, o coração afim e os sorrisos de prontidão para que toda essa lição seja jogada ao vento sem germinar em jardim algum.

Abra o seu sorriso e receba essas sete sementes de sorrisos e acolha com muita emoção e com muito respeito essa linda canção que somente revela o que vale viver, o quanto vale estar, o quanto vale a pena ser, o quanto vale sorrir, o que vale fazer valer, o quanto vale... Os sete sorrisos de um Preto Velho.

Muita Paz,

Pai Damião.

Canalizado para Thyago Avelino


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