Desfolhem-se quantas vezes for necessário



Caríssimos,

Muitas vezes os seres humanos, na experiência aqui na terra, prosseguem no seu vivenciar em desconexão entre o corpo e entre a alma. O estabelecimento efetivo do encontro entre o corpo e a alma se faz cada vez mais necessário.

Os corpos físicos estão adoentados porque as almas estão impregnadas em culpas e ressentimentos por não terem a oportunidade de cumprir o que efetivamente estava para ser cumprido. Então, passa-se para um estágio de desistência da própria existência dentro de uma permanência em um corpo que vai sendo cada vez mais esquecido e mecanismos de defesas vão sendo empreendidos em seus corpos, esquecendo-se dos membros inferiores, esquecendo-se dos membros energéticos medianos, esquecendo-se dos posteriores e dos ascensos. Tais membros permanecem no esquecimento diante da desistência de si.

Caríssimos, jamais desistam de vocês. Quando a palidez bater à sua porta ou até mesmo adentrar a sua residência, olhe para os olhos daqueles que estão próximos a você. Perdoem as fraquezas, por não conseguir até então ser quem verdadeiramente é. Perdoem. Não exija algo que nem mesmo você esteja conseguindo empreender. Não exija padrões que nem mesmo você ainda internalizou. Aquele ser que se entrega ao fluxo perfeito da espiritualidade juntamente com a materialidade da fluidez verdadeira, na busca incessante por si, jamais temerá isso que acabei de dizer.

As árvores, em alguns momentos, em períodos anuais, se desfolham completamente e aparentemente parecem mortas por somente galhos possuir. Mas trata-se de uma renovação diante de uma transmutação que a natureza em sua inteligência máxima produz, em se despir para que o novo possa nascer. Em muitos momentos da trajetória humana é necessário se despir de tudo aquilo que supostamente foi internalizado, pois muito estava apenas na superficialidade do ser. Quanto mais se aprofunda em cada um, quanto mais o ser humano vai se aprofundando, os processos de desfolhagem são cada vez mais constantes para que o novo possa nascer sem vícios, sem inquietudes do passado. Se uma folha permanece com medo da desfolhagem, coloca em risco todo o novo que se chega.

Deem oportunidade para que as suas almas sejam quem efetivamente elas são. Deem oportunidade para a perfeita conexão entre o seu corpo e a sua alma, acolhendo, honrando essa centelha divina que está dentro do seu corpo, dentro da sua mente, projetando seu dever divino de estar aqui no projeto terra, nesta nova jornada da humanidade em que o coletivo é o alvo e a individualidade é colocada em tratamento por meio das desfolhagens. Desfolhem-se quantas vezes for necessário. O despir de si, projetado em vícios, culpas, erros e acertos culposos, faz parte de todo um colapso que o corpo precisa vivenciar para o acertar no desfolhamento, para que o novo possa nascer.

Uma residência interior viciada, condicionada, medrosa, jamais conseguirá a primeira desfolhagem. Ficará presa a suas folhas apodrecidas e seus galhos apodrecidos, esperando o primeiro vendaval, para a derrubada, porque precisa de alguém para justificar a sua derrota. A sua derrota existencial. A sua derrota em não ouvir ou frear o fluxo perfeito do amadurecimento da alma.

Busquem-se infinitamente, jamais desistindo de vocês. Busquem-se nas desfolhagens que se manifestam nas suas vidas. Encontre-se no meio das folhas caídas e nos galhos empobrecidos de folhas, mas no aguardo robusto do nascer. Acalmem-se! Tudo que é novo causa expectativas, ansiedades. Mas as folhas, tenho certeza que brotarão das árvores folhadas, porque você decidiu hoje entregar-se ao fluxo perfeito do auto cuidar do seu corpo e prestar atenção na sua alma, sem freios, diante de todas as provocações.

Observem o que vocês podem cada vez mais aprender em cada provocação da vida. Observem o som da alma, o que as suas almas pedem. Muitas vezes está distante do que efetivamente o seu corpo, viciado na psique controladora, exige de você. Desapeguem, dia após dia, do controle demasiado do estar. Observem para o propósito que é o ser. Sejam e não estejam. O modo do estar é angustiante e doloroso quando não se compreende o caminhar para o alvo do ser. Não se apeguem aos galhos que rasgam as suas roupas, não se apeguem aos pedregulhos que insistem em lembrar que você está descalço. Não se apeguem a qualquer “não” que seja manifestado à sua frente.

Empreenda a sua inteligência e observe o que efetivamente está a manifestar por meio de todos os sinais. A espiritualidade se manifesta de todas as maneiras e de todas as formas em infinitos lugares e saberes. Não só em templo espiritual está a espiritualidade. Em sua residência, em seu trabalho, no olhar de um familiar, no olhar de um amigo, de não conseguir olhar para os seus olhos, por medo de julgamento, mas todos estão no mesmo barco. Todos estão imersos no planeta terra, sem mais e sem menos, evolutivos.

As doenças apresentam-se, tenho certeza. Mas observem como estão sendo empreendidos os alimentos da alma e do seu corpo. Dois alimentos precisam ser observados: O que você está alimentando no seu corpo e o que você está alimentado na sua alma. Sentimentos e emoções são portas que podem abrigar ervas daninhas. Acolham todas elas. Percebam-se a cada instante. Percebam-se a cada dia. Não temas pedir desculpas, pedir o perdão, não temas enfrentar olhos nos olhos, quem você é diante do espelho, primeiramente. Não temas porque isto o impede de alcançar a saúde da alma e consequentemente empobrecerá o corpo. Alma doentia, empobrecimento do corpo.

Caríssimos, levantem-se. Coloquem-se na balança do equilíbrio, do alimentar conscientemente a sua alma e do alimentar conscientemente o seu corpo, não se vendendo por qualquer controle financeiro. Lembrem-se, o dinheiro, muitas vezes, representam as grandes armadilhas, para se distanciar cada vez mais da alma. O valor que dá ao dinheiro depende da sintonia entre o corpo e a alma. Se muito bem empregado, muito bem empreendido pode ser feito. Se desviante é empregado, corpo e alma ficam de costas e um não consegue mais enxergar o outro.

Observe se o poder manifestado em um tratamento espiritual que coloca uma semente em seu terreno; e quem dirá se o que foi manifestado nesse tratamento, por meio de palavras, atos, atitudes, procedimentos, será você mesmo, diante do alimentar da alma e do corpo porque a semente a espiritualidade plantou, mas quem dirá se o seu terreno é fértil será você. A sua parte precisa ser feita em cuidar do seu terreno para que as sementes colocadas pela espiritualidade consigam germinar dentro de uma inteireza perfeita e um acolher infinitamente, todas as pessoas, do jeito que elas se manifestam verdadeiramente.

Lembrem-se. Tudo é tão passageiro. Existe um curto prazo. Existe um curto tempo dentro da experiência humana, no planeta terra. Não desperdicem seus tempos, mal alimentando a alma e negligenciando o corpo. Prestem atenção. Entreguem-se cada vez mais ao fluxo e confiem na espiritualidade que vocês reverenciam. Confiem não com os olhos fechados com fenda, mas com os olhos abertos para vivenciar a manifestação do bem na sua alma e em seu corpo. Abriguem-se em agrupamentos, mas faça valer todo o aprendizado na confiança e certeza de que tudo será empreendido e manifestado, porque existe uma força do bem que é muito maior do que aquela que impede o progresso da humanidade. Acolham-se sem temer do que está por vir, porque o que está por vir é de inteira responsabilidade do que você executa no agora.

Assim seja,

Pai Damião,

Águas de Aruanda,

16 de junho de 2018.


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