• Águas de Aruanda

O que é a morte? Reflexão de Pai Damião


Para falar sobre a morte, iniciarei com uma reflexão: O que você está fazendo para viver? Quantas pessoas vivas estão conosco agora? Não digo viva tão somente pela batida do coração e o sistema vascular cerebral. Digo viva, empreendendo seu diferencial, cumprindo seus propósitos, não eivadas em reclamações demasiadas, em vícios demasiados e nebulosas formas de seus pensamentos e desequilíbrios de diversas ordens obsessivas para com o outro.

Quem está conosco efetivamente agora, neste momento, que está vivo? O que você está fazendo para viver? Não digo sobreviver porque um sistema de quase morte. A sobrevivência, mesmo tendo a possibilidade de viver, é um estágio de quase morte. É um estágio de estar vivo e morto ao mesmo tempo. Por isso que faço essa provocação, essa reflexão com você, porque para falar da morte é muito importante que verifiquemos que só morre aquele que está vivo. Quem já está morto na vida não morre, porque já está morto. A pessoa já está morrendo ou já morreu ou ratifica sua morte, dia após dia.

Somente aqueles que estão prestando atenção nos seus desígnios verdadeiramente, seguindo as diretrizes da sua vida, objetivado também na atenção com a sua espiritualidade, e aqui não estou falando de religião, estou falando de religiosidade, da sua ligação com o espiritual, equilibrando com as diretrizes materiais do que efetivamente vale a pena na sua vida. Quanto custa a sua paz? Muitas pessoas ainda estão escravizadas por valores monetários, renunciando à qualidade de vida.

O que efetivamente você está fazendo para viver? É isso que você chama de vida ou na realidade você já está ratificando, confirmando, dia após dia, o seu estado de morte? Passados por este primeiro norte, vamos para uma outra reflexão: A morte, para aquele que crê, em possibilidades do além do que os olhos podem enxergar, precisa ser edificada pelo prestar atenção ao caminho. O que você está empreendendo? O que você está levando na sua mochila de vida? O que você está escrevendo no seu livro de vida?

Faço ainda, uma reflexão complementar, que existe uma porta na qual todos irão passar, lamentavelmente para uns, porque é uma porta que passa somente um de cada vez. Não adianta chamar seu pai, sua mãe, seu marido, sua esposa, seu filho, a pessoa que você mais ama. Naquele momento, a morte exige individualidade e somente um ser consegue vivenciar isso. Todos esses personagens de status assumidos outrora, ficam guardados nos livros de vida, mas no momento da morte é uma porta em que, individualmente, cada criatura, dentro da sua individualidade fractal, energética, espiritual, passa um a um e a realidade pós, depois dessa porta, significa tudo aquilo que está no seu pensamento, na sua forma íntima de pensar, não no seu agir, porque às vezes muitas pessoas agem para serem bondosas, negociando com a morte: -“Quero ser uma pessoa boa porque na hora da minha morte isso vai contar”. Dessa forma, já está neutralizando todo o processo. O que você já está barganhando? Quer ser uma pessoa cada vez mais espiritualizada na promessa do céu, na promessa de que minha alma seja colhida na mais profunda Luz? Esse pensamento da barganha já está neutralizando, porque quem está edificando a sua espiritualidade, simplesmente caminha, sem ficar barganhando que hoje está sendo bom, porque para mais adiante receber uma recompensa.

Então, na realidade após a passagem pela porta, por essa porta metaforicamente colocada para vocês, será a realidade mental primeira que cada um tiver dentro de si. Se sua realidade for de atitudes levianas, mentirosas, soberbas, será este cenário que te recepcionará, de imediato. Caso verdadeiramente tenha construindo uma caminhada, uma escrita no livro de vida diante de uma verdade, cada uma ao seu passo, cada uma ao seu ritmo, mas diante de uma construção real, eis a morada.

Não adianta colocar responsabilidades em um Preto Velho, em um guia espiritual que sempre esteve contigo, porque ele está com você, você é que não está enxergando muitas vezes naquele momento, porque muitas vezes os olhos da alma estavam precisando vivenciar aquela realidade imediata do seu pensar, porque no caminho contrário do melhoramento fluido, estava sempre pensando na barganha, sempre pensando em fazer determinada atitude para o acréscimo dos bônus, como se fossem cofres onde vão guardando as moedas.

Obviamente que atitudes positivas, honestas, gratificantes, que elevam o Espírito, contam positivamente, mas essa percepção que estou guardando no cofre eleva para o pensar em barganha, porque aquele que faz não precisa de amostragem, não precisa de publicidade, aquele que se edifica espiritualmente não precisa de valoração de quem quer que seja porque a relação é direta com o Divino. Não precisa ficar mostrando e dizendo: “olha como eu sou uma pessoa boa, pois estou fazendo alguma ação espiritual e por favor peço aplausos por isso, por favor me elogiem por isso”.

Esse é um caminho perigoso, aplausos, elogios, podem até acontecer e a pessoa que receba isso, nunca entenda como real, porque isto é apenas temporário pois aquela mesma pessoa que te elogia pode ser a mesma pessoa que te apedrejará. Jesus passou por isso. A mesma pessoa que te recepciona com flores é a mesma que te coloca em cama de espinhos.

Então, entregar o amor sem condições é um desafio, porque o bem não pode enxergar o seu destinatário, o bem jamais pode enxergar o seu destinatário. A partir do momento que você começa a escolher a quem você faz o bem e a quem você rejeita o bem, qual é essa espiritualidade? Você já está em estado de morte por você já vivenciar vários tipos de mortes. Quantas pessoas mortas estão dentro da sua família? Quantos mortos têm no seu trabalho? Quantos mortos têm na sua família? Quantos mortos têm dentro de você? Quantos “eus” seus próprios já morreram para que você assumisse agora uma nova postura? Quantas mortes dentro da mesma vida os seres humanos estão sendo convidados e se permitem a este processo?

De forma bem resumida é o que digo sobre uma reflexão sobre a morte.

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